Vivências

Don’t ask, don’t tell – não pergunte, não conte…

Quando cheguei em casa fui ler meus e-mails como faço todos os dias, só que hoje tinha um presente para o blog. Fiquei super feliz!!!

Paulinho, meu primo querido, muito obrigada pelo seu lindo depoimento. Tenho certeza que a sua mensagem  irá ajudar muito outras pessoas enfrentarem os seus preconceitos. 🙂

“A política americana oficial para lidar com os eventuais gays nas forças armadas do EUA, revogada apenas recentemente pelo Presidente Obama em dezembro de 2010, tinha como fundamento a hipocrisia…Não falar do assunto para não ter que enfrentá-lo e assim, conviver em paz. Era a institucionalização do “armário”! Não se perguntava para que também não fosse preciso contar nada. Esse arranjo social perdurou e permeou as relações pessoais, profissionais e até familiares por muito tempo, não só nos EUA mas em todo o mundo. Na verdade, o tabu ainda persiste – ou não estaríamos aqui nesse blog a falar dele!

Tenho 60 anos e, desde 2013, logo após o advento do casamento igualitário no Brasil, me casei com meu companheiro com quem já vivia “casado” havia 15 anos. Muitos hão de imaginar por quantos problemas eu, com a idade que tenho, tive que passar…Quanta discriminação, quanto bullying, quantos subterfúgios para poder viver em paz nesse mundo homofóbico…Só que não!

Por incrível que isso possa parecer aos mais jovens, não passei por nada disso na vida, seja no trabalho, na faculdade ou muito menos na família!

Acho que vivi na plenitude a política do “don’t ask, don’t tell”…mas, tenho que reconhecer, pelo menos para mim, ela funcionou e muito bem! Eu nunca escondi, mas também nunca saí contando nem ninguém nunca me perguntou! Acho que as coisas vem no tempo certo, as sociedades amadurecem bem aos poucos, mas amadurecem! E essa liberdade que vivemos hoje, apesar de ser uma “novidade” que ainda assusta, daqui a pouquíssimo tempo – aposto nisso! – não vai assustar mais. A nova geração vai, finalmente, ter direito à indiferença quanto à sua identidade sexual. Quem quiser vai poder perguntar e quem quiser vai poder responder mas – o mais importante -não vai mais ser preciso perguntar ou contar nada!”

Paulo Fernando

Rio de Janeiro, RJ

Post Anterior Próximo Post

Você também irá gostar de ler

2 Comentários

  • Responder Gabriela 8 de julho de 2015 at 00:50

    Adorei o depoimento! Acho que é bem por aí, a sociedade vai evoluindo e para as próximas gerações essa não será mais uma questão relevante, basta notar a naturalidade das crianças de hoje quanto ao tema que tanto aflige os adultos…. Só nos resta esperer um tempo em que apenas o amor será o protagonista das histórias….

  • Responder Monica Carvalho 9 de julho de 2015 at 00:38

    Infelizmente, a política da hipocrisia ainda existe, mas – como bem colocado no depoimento – é uma questão de tempo. O pior já passou, quantas pessoas abriram mão da própria felicidade em prol de uma discriminação tão cruel! Amor não tem sexo, simples assim.

  • Deixe uma resposta para Monica Carvalho Cancelar Mensagem